Você sobreviveria?
Você viveria bem numa ilha deserta?
A gente ama o mito de Robinson Crusoé. Um sujeito fica preso numa ilha deserta, sozinho e é obrigado a se virar para sobreviver nessa realidade selvagem. Ele consegue, ou seja, o ser humano moderno consegue aprender a se virar. É aqui que a gente gosta do mito. Será que a gente daria conta do recado?
Apesar de o livro de Robinson Crusoé mostrar o perrengue que é a vida num ambiente selvagem, a gente sente que também conseguiria. A gente sonha com uma aventura dessa.
Já imaginou ficar, pelo menos por um tempo, numa ilha tropical, longe de todos os problemas, longe de todo mundo? Um tempo sozinho para limpar a cabeça. Você aprenderia a abrir coco e pescar caranguejo?
A ILHA É UM TESTE
A ilha é um ambiente livre das regras do mundo urbano, do trabalho, da política, da burocracia, da poluição… livre de toda ordem que nos oprime. A gente vai poder testar uma ordem completamente própria.
Vários escritores imaginaram como o ser humano se viraria num ambiente assim.
A ILHA É BOA
Existem dois tipos de aventuras em ilha deserta. De um lado você tem as aventuras em que a ilha traz o melhor do ser humano. O náufrago, ou os náufragos, conseguem implantar uma ordem, conseguem montar abrigo, arranjar comida, organizar a rotina. Conseguem, enfim, um nível de conforto nessa situação limite. São as histórias que defendem que somos fortes, temos disciplina.
Robinson Crusoé, A Ilha do Coral, A Família Robinson e A Ilha Misteriosa são exemplos dessas ficções otimistas. Em certa medida, essas histórias defendem a capacidade do europeu de dominar um ambiente inóspito e tropical.
Você pode trocar a ilha por outro planeta e a história ainda gera interesse. Um exemplo recente é o livro Perdido em Marte de Andy Weir.
A ILHA DEU RUIM
E tem o segundo tipo de aventura de ilha deserta. São as histórias em que as coisas dão errado. A vida distante do continente descamba para violência, dominação e selvageria. Os principais exemplos aqui são O Senhor das Moscas e A Ilha do Doutor Moreau. Será que somos piores na ilha?
Nem médicos, nem monstros
Existem ainda aventuras em que a vida dos ilhéus oscila entre ordem e caos. São as histórias em que os seres humanos mostram seu melhor e seu pior. E, no fim, mesmo que a paz e a racionalidade prevaleçam, não dá para dizer que o ser humano vai ser sempre confiável. É uma moeda jogada para o alto.
A Ilha do Tesouro é um ótimo exemplo disso. A cada capítulo, o livro nos provoca a descobrir se os náufragos se tornarão cruéis ou bondosos.
O pirata Long John Silver é sempre um desafio para o jovem Jim Hawkins decifrar. Ora caridoso, ora de uma crueldade descarada. Talvez, ele ter uma só perna seja um jogo simbólico do autor, Robert L. Stevenson. O velho cozinheiro nunca encontra o equilíbrio, nem fica muito tempo só de um lado da moral.
Mais recente, “Náufrago”, o filme com Tom Hanks de 2000, foi lido como uma versão otimista de Robinson Crusoé. Eu questiono esse otimismo. Existe uma crise nesse filme. Crusoé moderno está à beira do colapso físico e mental.
Quer debater o filme?
Basta entrar no link abaixo. O encontro hoje será aberto a todos.
Começa 19h.
CLUBE DO FILME
Náufrago
Segunda, 27 de julho · 19:00 – 20:30









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