Marque as Árvores
Você precisa refazer as trilhas
Me perguntam direto como eu faço para ter sacadas originais dos filmes que vejo, dos livros que leio. Me perguntam como eu consigo guardar cenas de filmes, trechos de livros que li na memória.
Lembro de um colega de faculdade de Letras me perguntando isso a respeito do professor que tínhamos. Meu amigo me perguntou intrigado, como é que o professor guarda a história inteira de tantos livros e tantas passagens?
Eu tenho uma teoria. E a resposta não está na cabeça, está nas mãos.
Refazendo o trajeto
Dar aula, dar mil vezes a mesma aula, é refazer aquele caminho mil vezes. O professor não é professor porque tem uma memória e uma sagacidade excepcional. Ele consegue fazer o que faz porque ele está sempre refazendo. Pensar é repensar. Fazer o caminho é refazer o caminho.
Para mim, o maior erro de percepção de quem quer voltar a ler, ou começar a ler, ee não esquecer tudo, é achar que vai é o suficiente ler uma vez. Não é.
Ler ou assistir aula é como fazer uma trilha nova, com um guia. Você se sente confiante no caminho, acha que está memorizando. Mas quem está guiando é o outro. VocÊ está acompanhando o caminhar do outro. Você só vai ter certeza que memorizou a trilha se você refizer o trajeto sem guia. Quanto mais você refizer o trajeto, melhor ele será memorizado.
O TRUQUE
Mas não precisa refazer o trajeto mil vezes até internalizar ele. Existe um jeito de você acelerar o projeto de memorização do que lê e estuda. Você marca nas árvores da trilha o caminho que fez. No caso do estudo, você deve anotar, seja nas margens do livro, seja em fichas, o que você está refletindo à medida que ouve uma aula ou lê um texto, ou ouve um podcast.
A gente faz muito pouco isso. Confia demais na memória. Vivemos num momento em que diariamente milhares de informações são arremessadas na memória. Você vai esquecer.
E se não esquecer, como não vai conseguir encontrar aonde guardou a informação para retomá-la e recombiná-la? Como diz o professor Robson Cruz no livro Como os Intelectuais Escrevem, o conhecimento é associativo.
Para poder associar conhecimentos e informações você precisa ser ativo na construção das memórias. E o melhor jeito de fazer isso, comprovado aliás, é anotando. É colocar em notas pessoais tudo que passa de interessante diante de seus olhos e ouvidos.
O trabalho intelectual é também um trabalho manual, como diz Robson Cruz.
Voltando ao começo do texto, quando me perguntam como eu gero sacadas interessantes do que eu leio e estudo, eu respondo que não tem segredo. Eu não sou genial. Eu estou sempre anotando nas margens e em fichas o que eu penso enquanto estou lendo.
Daí, ao ter que produzir um vídeo ou uma aula, eu não preciso reler o livro. Não preciso atravessar a floresta. Eu apenas olho para as marcas que deixei nas árvores e, assim, refaço meu percurso mental.
Indico demais o livro de Robson Cruz sobre escrita e reflexão. Está sendo uma das grandes leituras do ano.









Will, não seria possível um curso sobre aprender a aprender? Esses tempos assisti a uma live sua, sobre notas e tals, apesar de algumas dúvidas, peguei a chave na mão, mas pra encontrar a fechadura precisaria ler sobre, estudar o estudo, claro, além de já estar fazendo anotações.... Não sei se vc já deu esse curso antes, de todo modo seria demais!!
Obrigado por esse lembrete sobre os caminhos que (re)trilhamos e os mapas e marcas que desenhamos pra apoiar a memória! 🌿